Maio é também o mês em que o reembolso do IRS começa a entrar nas contas dos portugueses. Para muitos, é uma quantia esquecida; para outros, um alívio aguardado. Em qualquer dos casos, vale a pena parar antes de o gastar e pensar onde é que esse dinheiro pode trabalhar melhor por si.
Eis cinco formas de transformar o reembolso num verdadeiro impulso para a sua saúde financeira.
1. Liquidar primeiro as dívidas mais caras
Antes de pensar em poupar ou investir, faça as contas. Se tem saldos por pagar no cartão de crédito, créditos rápidos ou descobertos bancários, é aí que o reembolso rende mais. Segundo os dados do Banco de Portugal, os cartões de crédito apresentam TAEG médias frequentemente acima dos 15%, sendo dos produtos de crédito mais caros do mercado.
Pagar uma dívida a 18% equivale, na prática, a obter uma rentabilidade de 18% num investimento sem risco. Não há aplicação no mercado nacional que iguale esse retorno garantido.
2. Tratar da saúde sem adiar mais
Aquela ida ao dentista que tem vindo a empurrar, os óculos novos, o check-up por marcar, ou a sessão de fisioterapia para resolver de vez aquela dor nas costas. A saúde, quando descurada, costuma sair sempre mais cara.
Usar parte do reembolso para tratar do que tem ficado para trás é, em rigor, um investimento. Recorde ainda que despesas de saúde dão direito a dedução de 15% à coleta de IRS (até ao limite de 1.000€ por agregado), pelo que o esforço pode também aliviar a fatura fiscal do próximo ano.
3. Tornar a casa mais eficiente
Com o peso dos custos de energia nas contas das famílias, intervenções de eficiência energética pagam-se mais depressa do que parece. Trocar lâmpadas por LED, melhorar o isolamento, substituir caixilharia, ou avançar para um sistema de painéis solares são decisões que reduzem a fatura mensal durante anos.
Em Portugal, programas como o Vale Eficiência (destinado a famílias em situação de pobreza energética) ou os apoios geridos pelo Fundo Ambiental podem complementar o seu investimento. Antes de avançar, vale a pena consultar o Portal Casa+ e verificar quais os concursos abertos no momento.
4. Reforçar um PPR para baixar o IRS do próximo ano
Reforçar um Plano Poupança Reforma é uma das formas mais eficientes de transformar o reembolso em vantagem fiscal já no ano seguinte. A legislação portuguesa permite deduzir 20% do valor investido à coleta de IRS, com limites que variam consoante a idade do contribuinte:
Para tirar partido pleno do benefício, é preciso respeitar as condições de resgate previstas no Decreto-Lei n.º 158/2002, sob pena de ter de devolver as deduções obtidas. Ainda assim, para quem está a planear a reforma, continua a ser uma das ferramentas mais poderosas do sistema fiscal português.
5. Criar (ou reconstruir) o fundo de emergência
Ter entre três e seis meses de despesas guardadas numa conta acessível continua a ser a regra de ouro das finanças pessoais. Não é dinheiro parado, é dinheiro a fazer o seu trabalho mais importante: dar-lhe tranquilidade.
Em Portugal, os Certificados de Aforro (série F) e os depósitos a prazo com mobilização antecipada são duas alternativas frequentemente consideradas para esta almofada, por combinarem liquidez razoável com remuneração superior à de uma conta à ordem. Um carro que avaria, um eletrodoméstico que vai abaixo, ou um período de desemprego inesperado deixam de ser crises quando existe um colchão para os absorver.
Antes de gastar, planeie
O Portal das Finanças disponibiliza, no espaço pessoal de cada contribuinte, a estimativa do reembolso assim que a declaração é submetida. Saber o valor antes de o ter na conta ajuda a evitar a tentação de o gastar logo nas primeiras compras do verão.
O reembolso é dinheiro seu por direito, não um bónus caído do céu. Tratado com critério, pode ser o ponto de partida para uma vida financeira mais saudável. Tratado por impulso, desaparece sem deixar rasto.






