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    Recibos Verdes ou Empresa em 2026: A Partir de Que Faturação Compensa Passar a Lda

    Pedro Flores
    ·6 min read
    Recibos Verdes ou Empresa em 2026: A Partir de Que Faturação Compensa Passar a Lda por Pedro Flores - Grupo Your Contabilidade

    Recibos Verdes ou Empresa em 2026: A Partir de Que Faturação Compensa Passar a Lda

    É uma das perguntas mais frequentes que recebemos no Grupo Your. O freelancer começa a faturar bem, vê metade do rendimento ir para impostos e Segurança Social, e questiona-se: "não devia eu abrir uma empresa?". A resposta curta é "depende". A resposta útil envolve números concretos, e é isso que vamos dar neste artigo.

    O ponto de partida: como funcionam os recibos verdes em 2026

    Quem trabalha por conta própria através de recibos verdes está, na linguagem fiscal, na Categoria B do IRS. A maioria dos profissionais opta pelo regime simplificado, que aplica um coeficiente sobre o valor faturado para determinar o rendimento tributável.

    Para a maior parte das atividades de prestação de serviços, o coeficiente é de 0,75, ou seja, 75% do que faturas conta como rendimento tributável e os restantes 25% presumem-se gastos. Há atividades específicas com coeficientes diferentes (alojamento local a 0,35, atividades hoteleiras com regras próprias, etc.), mas vamos focar-nos no caso mais comum.

    Sobre esse rendimento tributável aplicam-se as taxas progressivas do IRS, que podem chegar aos 48% no escalão mais alto. A isto somam-se as contribuições para a Segurança Social, que rondam os 21,4% sobre uma base de incidência calculada trimestralmente.

    Quanto está mesmo a pagar um trabalhador independente

    Vamos ver com números reais. Um profissional que fatura 40.000 euros por ano em prestação de serviços, sem dependentes e sem grandes deduções, paga aproximadamente:

    Componente Valor anual
    IRS (regime simplificado, coef. 0,75) ~5.400 €
    Segurança Social ~6.400 €
    Total de carga fiscal ~11.800 €
    Líquido disponível ~28.200 €

    Carga efetiva: cerca de 29,5% do faturado. Quando a faturação sobe para 60.000 ou 80.000 euros, esta percentagem dispara, porque o IRS entra em escalões superiores.

    O que muda quando se abre uma empresa

    Numa Sociedade Unipessoal por Quotas (Unipessoal Lda) ou numa Sociedade por Quotas (Lda), a lógica é completamente diferente:

  1. A empresa fatura ao cliente.
  2. A empresa paga IRC sobre o lucro (não sobre a faturação).
  3. O sócio retira dinheiro como salário (sujeito a IRS e Segurança Social) ou como dividendos (taxa liberatória de 28%).
  4. A taxa de IRC para PME em 2026 é de 16% nos primeiros 50.000 euros de matéria coletável e 19% acima desse valor (descida que entrou em vigor este ano). Isto faz uma enorme diferença.

    Simulação: 4 cenários reais

    Vamos a quatro casos concretos, todos com o mesmo perfil (profissional solteiro, sem filhos, atividade de prestação de serviços com coeficiente 0,75 no regime simplificado).

    Cenário 1: Faturação de 25.000 €/ano

    * Recibos verdes: carga fiscal total de ~6.500 €, líquido de ~18.500 €. * Unipessoal Lda: depois de salário mínimo do gerente, IRC, contabilidade e encargos, o líquido fica em torno de ~17.800 €.

    Veredito: a esta faturação, recibos verdes ainda compensam. A empresa só ganha em situações específicas (querer comprar viatura, ter despesas significativas, etc.).

    Cenário 2: Faturação de 40.000 €/ano

    * Recibos verdes: líquido de ~28.200 €. * Unipessoal Lda: líquido de ~28.500 a 29.500 € (dependendo da estratégia salário/dividendos).

    Veredito: zona cinzenta. Os números são parecidos, mas a empresa começa a ganhar pelos benefícios não financeiros (imagem profissional, possibilidade de contratar, separação patrimonial).

    Cenário 3: Faturação de 60.000 €/ano

    * Recibos verdes: líquido de ~38.000 €. * Unipessoal Lda: líquido de ~42.000 a 44.000 € com uma estratégia bem desenhada.

    Veredito: começa a compensar de forma clara. Diferença anual de 4.000 a 6.000 euros, suficiente para pagar todos os custos da empresa e ainda sobrar.

    Cenário 4: Faturação de 100.000 €/ano

    * Recibos verdes: líquido de ~58.000 € (já com penalização do coeficiente que sobe para 100% acima dos 200.000 €, mas ainda em zona penalizada se ficar muitos anos). * Unipessoal Lda: líquido de ~72.000 a 76.000 € com gestão fiscal otimizada.

    Veredito: compensa claramente. Diferença de 14.000 a 18.000 euros por ano. Manter os recibos verdes a este nível é deitar dinheiro fora.

    O ponto de viragem: onde compensa mesmo

    Pela nossa experiência com mais de 4.000 empresas no Grupo Your, e com as regras de 2026, o ponto de viragem situa-se entre 50.000 e 65.000 euros de faturação anual, dependendo de:

    * Tipo de atividade e coeficiente aplicável. * Despesas reais que o profissional tem (rendas de espaço, equipamento, deslocações, formação). * Necessidade de subcontratar ou contratar pessoas. * Plano para os próximos 3 a 5 anos (vai crescer? estagnar?).

    Se faturas acima de 65.000 € e continuas em recibos verdes, é quase certo que estás a pagar mais imposto do que precisarias.

    Os custos invisíveis que muitos esquecem

    Quando se compara, é fácil olhar só para o IRS e o IRC. Mas a empresa tem custos fixos que precisam de entrar na conta:

  5. Constituição da empresa: 360 € na Empresa na Hora, podendo ser mais consoante a forma escolhida.
  6. Contabilidade certificada: obrigatória, ronda 100 a 300 € por mês (consoante volume e complexidade).
  7. TOC ou Contabilista Certificado: incluído normalmente no pacote acima.
  8. Pagamentos por Conta de IRC: três pagamentos antecipados por ano.
  9. PEC (Pagamento Especial por Conta): aplicável em certos regimes.
  10. IES anual: declaração obrigatória.
  11. Eventual AIMI, derramas municipais, contribuições especiais.
  12. Numa unipessoal de prestação de serviços típica, conte com 2.500 a 4.500 euros/ano em custos fixos da empresa, fora impostos sobre lucro.

    Quando NÃO compensa abrir empresa (mesmo a faturar bem)

    Há situações em que a empresa, mesmo numericamente vantajosa, é má ideia:

    * Atividade temporária ou de transição (vai abrir e fechar em 2 anos). * Faturação muito instável, com meses a zero. * Não tem disciplina financeira para separar o "dinheiro da empresa" do "dinheiro pessoal". * Não quer lidar com a complexidade (fechos de contas, IES, atas, decisões formais).

    A empresa exige uma postura diferente. Não é só uma forma jurídica, é uma mudança de mentalidade.

    Como tomar a decisão de forma certa

    Antes de abrir empresa, recomendamos três passos:

  13. Simulação numérica personalizada: usar um simulador (como o Simulador Forma Jurídica do Grupo Your) ou pedir uma análise a um contabilista. Não decidas com base em conversa de café.
  14. Análise dos próximos 3 anos: a empresa só faz sentido se a faturação for sustentada ou crescente. Faturação a cair desaconselha empresa.
  15. Avaliação não fiscal: imagem profissional, possibilidade de associar sócios, contratar pessoas, atrair investimento. Por vezes, estes fatores valem mais que a poupança fiscal.
  16. Conclusão: a regra prática

    Se faturas até 40.000 euros: provavelmente recibos verdes ainda fazem sentido.

    Se faturas entre 40.000 e 65.000 euros: zona de transição. Avalia caso a caso.

    Se faturas acima de 65.000 euros e a tendência é continuar ou crescer: é hora de pôr a hipótese da empresa em cima da mesa, a sério.

    Se faturas acima de 100.000 euros: estás quase de certeza a pagar imposto a mais. Trata disto este ano.


    Precisa de uma simulação personalizada para o seu caso? A nossa equipa pode preparar um estudo comparativo (recibos verdes vs Unipessoal vs Lda) com base na sua faturação real, atividade e objetivos. Peça uma proposta sem compromisso ou experimente já o nosso Simulador de Forma Jurídica.

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