O imposto não subiu. Se o seu reembolso for menor do que o habitual - ou se tiver de pagar - não é porque o Estado ficou mais caro. É porque já recebeu esse dinheiro ao longo do ano.
O que aconteceu em 2024?
Para refletir retroativamente a descida das taxas de IRS aprovada pelo Governo, as tabelas de retenção na fonte foram reduzidas significativamente em agosto e setembro de 2024. Em termos práticos, muitos trabalhadores receberam nesses dois meses quase sem qualquer desconto para o IRS - e alguns até receberam o ordenado na íntegra.
O resultado é simples: quem já recebeu esse dinheiro adiantado, agora recebe menos de volta - ou até pode ser chamado a liquidar imposto.
Retenção na fonte quase zero nesses dois meses
Reembolso menor ou possível pagamento no acerto final
Desceu - a taxa de IRS tem vindo a reduzir nos últimos anos
É uma má notícia?
Não necessariamente. A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, defende que o sistema atual é mais correto: o contribuinte recebe mais mensalmente, tem o dinheiro no bolso ao longo do ano e faz as contas com o Estado no final - sem excesso de adiantamentos.
O problema é que muitos contribuintes habituaram-se ao "mealheiro" do Estado: recebiam menos mês a mês e tinham um reembolso mais gordo no fim do ano. Esse modelo já não é o que vigora.
Outros motivos para ter de pagar
- Ter dois empregos ou fontes de rendimento em simultâneo - situação que implica quase sempre pagamento adicional
- Ter obtido mais-valias ou rendimentos de investimento (ações, fundos, etc.) ao longo do ano
- Receber rendimentos de outras categorias que não foram sujeitos a retenção adequada
O que pode fazer para maximizar o reembolso (em 2025, para 2026)
Novidades na declaração de 2025
Este ano o preenchimento do IRS traz duas novidades a assinalar. O IRS Jovem passa a ter uma opção de ativação mais simplificada - ainda que não seja totalmente automático. E o anexo J (rendimentos no estrangeiro) estreia um quadro específico para mais-valias detidas há mais de um ano, corrigindo uma lacuna que em anos anteriores gerou tributações excessivas para investidores com ativos no exterior.





