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    CAE: O Que É, Como Escolher e Por Que Importa

    8 min de leitura
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    CAE: O Que É, Como Escolher e Por Que Importa

    Na Grupo Your, apoiamos diariamente empresários portugueses desde a escolha do CAE correto na constituição da empresa até à alteração ou adição de novos CAEs ao longo da vida do negócio. Um CAE mal escolhido pode custar caro - em impostos, em subsídios perdidos e em complicações fiscais. Este artigo explica tudo o que precisa de saber.

    O que é o CAE?

    O CAE - Classificação Portuguesa das Atividades Económicas - é um código numérico que identifica a atividade principal e as atividades secundárias de uma empresa ou empresário em nome individual. Foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 381/2007, de 14 de novembro, e baseia-se na Nomenclatura Estatística das Atividades Económicas da União Europeia (NACE Rev. 2).

    Cada CAE é composto por 5 dígitos e está organizado de forma hierárquica em secções, divisões, grupos, classes e subclasses. Por exemplo, o código 62010 refere-se a "Atividades de programação informática" e o 47110 a "Comércio a retalho em supermercados e hipermercados".

    O CAE é atribuído no momento da constituição da empresa através do portal do Registo Comercial (Empresa na Hora ou ePortugal) e fica registado na Conservatória do Registo Comercial, na Autoridade Tributária e nas Finanças.

    A Estrutura Hierárquica do CAE

    Compreender a hierarquia do CAE ajuda a escolher o código mais preciso para a sua atividade:

    Nível Composição Exemplo - Restauração
    Secção 1 letra I - Alojamento, Restauração e Similares
    Divisão 2 dígitos 56 - Restauração e similares
    Grupo 3 dígitos 561 - Restaurantes e similares
    Classe 4 dígitos 5610 - Restaurantes e similares
    Subclasse (CAE) 5 dígitos 56101 - Sem esplanada / 56102 - Com esplanada

    Para que Serve o CAE?

    O CAE não é apenas um código burocrático. Tem implicações práticas em várias dimensões da vida empresarial:

    1. Fiscalidade e Tributação

    O CAE determina o regime de IVA aplicável, as taxas de IRC, os regimes especiais de tributação e a elegibilidade para isenções fiscais. Atividades enquadradas em certos CAEs beneficiam de taxas reduzidas de IVA (6% em vez de 23%) ou de regimes simplificados de tributação.

    2. Acesso a Incentivos e Subsídios

    Os programas do Portugal 2030, do PRR e dos fundos comunitários definem critérios de elegibilidade por CAE. Uma empresa com um CAE que não corresponde à atividade real pode ver as candidaturas rejeitadas ou ter de devolver apoios já recebidos.

    3. Segurança Social e Taxas Contributivas

    O CAE influencia a taxa social única aplicável e pode determinar regimes especiais de Segurança Social para determinadas profissões ou setores, como a construção civil ou as artes do espetáculo.

    4. Licenças e Alvarás

    Certas atividades - restauração, construção, saúde, educação, serviços financeiros - exigem alvarás associados ao CAE. Sem o CAE correto, a empresa pode não conseguir obter as autorizações necessárias para operar legalmente.

    5. Seguros e Responsabilidade Civil

    As companhias de seguros utilizam o CAE para calcular prémios de responsabilidade civil, multirriscos e acidentes de trabalho. Um CAE desatualizado pode invalidar coberturas em caso de sinistro.

    6. Estatísticas e Análise de Mercado

    O INE e o Banco de Portugal utilizam o CAE para fins estatísticos, produzindo estudos setoriais fundamentais para o planeamento estratégico e para benchmarking com a concorrência.

    Como Escolher o CAE Correto?

    A escolha do CAE deve refletir a atividade principal geradora de maior volume de negócios. Os princípios orientadores são:

    Regra fundamental: o CAE principal deve corresponder à atividade que, no momento da constituição ou da última revisão, representa - ou se prevê que venha a representar - a maior parte do volume de negócios da empresa.

  1. Consulte a lista oficial de CAEs disponível no portal do INE (ine.pt) ou na plataforma ePortugal.
  2. Analise os CAEs dos seus concorrentes diretos para perceber qual é a classificação padrão no setor.
  3. Não escolha um CAE demasiado genérico - quanto mais específico, maior a precisão na atribuição de benefícios fiscais.
  4. Uma empresa pode ter um CAE principal e até 10 CAEs secundários para atividades complementares.
  5. Sempre que a atividade principal mudar, o CAE deve ser atualizado junto da AT e do Registo Comercial.
  6. Exemplos de CAEs Mais Comuns em Portugal

    CAE Designação Setor
    47110 Comércio a retalho em supermercados e hipermercados Comércio
    56101 Restaurantes (sem esplanada) Restauração
    62010 Atividades de programação informática Tecnologia
    69200 Atividades de contabilidade e auditoria Serviços Financeiros
    41200 Construção de edifícios residenciais e não residenciais Construção
    86210 Atividades de medicina geral e familiar Saúde
    85590 Outras atividades educativas n.e. Educação
    70220 Consultoria para negócios e gestão Consultoria
    49410 Transportes rodoviários de mercadorias Logística
    90010 Atividades das artes do espetáculo Cultura

    Como Alterar ou Adicionar um CAE?

    Ao longo da vida da empresa, é natural que as atividades evoluam. O processo de alteração ou adição de CAEs é feito online em poucos passos:

  7. Aceder ao portal ePortugal.gov.pt e autenticar com Chave Móvel Digital ou Cartão de Cidadão.
  8. Selecionar "Alterar dados da empresa" e depois "Alterar atividade económica".
  9. Comunicar a alteração também às Finanças (Portal AT) através do Modelo 1 de IVA - declaração de alteração de atividade.
  10. Se aplicável, atualizar a Segurança Social e eventuais entidades reguladoras do setor.
  11. Atenção: A alteração retroativa de CAE não é possível. As implicações fiscais e nos incentivos já recebidos são calculadas com base no CAE vigente em cada período. Consulte sempre o seu contabilista certificado antes de efetuar a alteração.

    Erros Comuns na Gestão do CAE

    Erro Frequente Consequência e Solução
    CAE demasiado genérico Perda de incentivos setoriais. Escolha sempre o CAE ao nível de subclasse (5 dígitos).
    Atividade real diferente do CAE registado Irregularidade fiscal e risco de coima. Atualize junto da AT e do Registo Comercial.
    Não adicionar CAEs secundários Limitação do âmbito de faturação. Registe todas as atividades relevantes sem custo adicional.
    Candidatura a subsídios com CAE errado Rejeição da candidatura ou devolução de apoios. Verifique os CAEs elegíveis antes de candidatar.
    Não atualizar o CAE após mudança de negócio Tributação incorreta e problemas com seguros. Atualize sempre que a atividade principal mudar.

    CAE e Incentivos do Portugal 2030

    O Portugal 2030 - o principal quadro de apoios comunitários para 2021-2027 - tem nos CAEs um dos critérios centrais de elegibilidade. Os programas Compete 2030, PRR e Norte 2020 definem listas de CAEs elegíveis para cada tipologia de incentivo.

    Setores considerados prioritários e com CAEs especialmente beneficiados:

  12. Indústria transformadora e bens transacionáveis (Secções C e D).
  13. Tecnologias de informação e comunicação - CAEs da Secção J.
  14. Turismo e alojamento - CAEs 55xxx e 56xxx.
  15. Agricultura, agrofloresta e aquicultura - Secções A e B.
  16. Saúde, educação e economia social - Secções P, Q e S.
  17. Investigação e desenvolvimento (I&D) - CAE 72200.
  18. A Grupo Your, através do serviço Your Business, apoia as empresas na identificação dos CAEs corretos e na preparação de candidaturas a incentivos, maximizando as hipóteses de aprovação e o valor dos apoios obtidos.

    8 Dicas Práticas sobre o CAE

  19. Verifique sempre o CAE na certidão permanente da empresa (certidaopermanente.mj.pt).
  20. O CAE da AT deve ser idêntico ao do Registo Comercial - divergências podem gerar irregularidades fiscais.
  21. Em caso de dúvida, consulte a tabela oficial do INE ou o seu contabilista certificado.
  22. Se tiver mais de uma atividade relevante, registe sempre os CAEs secundários - não há custo associado.
  23. Antes de candidatar a qualquer incentivo público, confirme se o CAE consta da lista de elegíveis.
  24. A escolha do CAE pode influenciar as contribuições para a Segurança Social em setores de risco elevado.
  25. Ao contratar seguros empresariais, informe sempre a seguradora do CAE correto para evitar problemas de cobertura.
  26. Para startups em fase de pivô, considere registar CAEs secundários que cubram possíveis direções estratégicas futuras.
  27. Conclusão

    O CAE é muito mais do que uma formalidade administrativa - é um elemento estruturante da identidade fiscal, legal e estratégica de qualquer empresa. A escolha correta na constituição e a sua atualização ao longo do ciclo de vida são decisões com impacto real no acesso a incentivos, na carga fiscal, na obtenção de licenças e na cobertura de seguros.

    Se tem dúvidas sobre o CAE da sua empresa, se está a ponderar alterar a atividade principal ou se quer garantir que o enquadramento está otimizado para as candidaturas do Portugal 2030, a equipa da Grupo Your está disponível para o ajudar.


    Este artigo tem carácter informativo e não substitui o aconselhamento jurídico ou de um Técnico Oficial de Contas certificado pela OCC.

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